Fashionsumerism

Sweatshops: Antes do Glamour, vem o suor

Adotadas por inúmeras marcas de roupas Ocidentais que comercializam no formato de departamentos, as sweatshops, ou na tradução literal, lojas de suor, são facções ou fábricas, onde os trabalhadores manuais são empregados com salários extremamente baixos por longas horas sob condições precárias e muitos riscos para a saúde. Ou seja, sem dignidade, segurança e direitos trabalhistas resguardados.

A tragédia do Edifício Rana Plaza, em Bangladesh (polo de exploração de mão de obra da indústria têxtil ocidental) no ano de 2013, demonstrou o completo descaso da Moda Ocidental com os trabalhadores das sweatshops, principalmente no Oriente. Um edifício, já condenado, que continha inúmeras facções da Indústria da Moda Ocidental desabou matando cerca de 1.200 pessoas e deixando mais de 2.000 feridas.

A partir desta tragédia, surgiu um dos movimentos mais significativos na luta contra as mazelas da Indústria da Moda atual: O Fashion Revolution. Movimento este presente em 92 países que luta para combater a exploração presente nestas formas medievais de produção adotadas, principalmente pelo fast fashion.

O consumo acelerado e o descaso com a cadeia produtiva por parte do consumidor final também contribui para o crescimento da moda sem propósito e descartável, consequentemente chancelando o crescimento das lojas de Suor. Não temos mais as quatro estações do ano bem definidas na Indústria da Moda, mas, 52 coleções anuais. Pasmem!

Em resumo, as grandes lojas de departamentos lançam uma coleção por ano, com roupas baratas e uma diversidade enorme de produtos muito atrativas aos olhos, estimulando a compra de modo automático. E, sem dúvidas, alguém paga muito caro por isso.

As estatísticas são assustadoras, mas o consumidor não possui acesso às mesmas. Muitas informações são camufladas ou omitidas pela Indústria, sendo um grande empecilho ao empoderamento do consumidor no que tange à verdade. Vejamos algumas estatísticas no sudeste asiático:

⁃ Um trabalhador chinês recebe 6 centavos de dólares para confeccionar uma calça jeans de uma marca Ocidental famosa e vendida em média a 150 dólares nos EUA;
⁃ Nos países em desenvolvimento, estima-se que 168 milhões de crianças entre 05 e 14 anos são obrigadas a trabalhar;
⁃ A América tem leis trabalhistas mais fortes do que a maioria dos países subdesenvolvidos, mas não está livre de condições de exploração. Muitas violações trabalhistas escapam ao radar do Departamento de Trabalho dos EUA;
⁃ Os trabalhadores na China possuem dois cartões de horário, pois trabalham em jornada dobrada com duas horas para dormir, além de seguranças serem contratados exclusivamente para cortar os cartões falsos, e assim, trabalham em jornada dupla burlando leis;
⁃ Greves são proibidas na China;
⁃ Os trabalhadores dormem em locais desumanos dentro das próprias facções.

Mas, não precisamos ir muito longe para ver que a escravidão contemporânea se faz presente. Em SP, em polos de moda, como Bom Retiro, por exemplo, nordestinos, bolivianos passam pelas mesmas situações que os asiáticos.

Por trás de uma peça de roupa existe uma história, uma pessoa, uma cadeia envolvida. Já parou pra pensar na pessoa que está sentada atrás da máquina confeccionando a sua peça? Será que está trabalhando em condições dignas? Será que recebe de forma justa por isso? Será que seus direitos trabalhistas são resguardados?

Escravidão não pode estar na Moda!

Fonte: Documentário “The Next Black”; Documentário “The True Cost”; Fashion Revolution.

Por: Paty Barbosa
Fashion Lawyer, Designer de Moda, Empresária, Ativista pelo Fashion Revolution, Articulista e praticante do Upcycling por sua marca de roupas @bymyhandsfashion.

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