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Escravidão Contemporânea na Moda

Dia 28 de janeiro é celebrado o dia Nacional do Combate à escravidão no Brasil. Realidade dura e muito presente principalmente na Indústria da Moda. De acordo com a Fundação Walk Free, o Brasil tem 369 mil escravos modernos, 1,8 a cada mil habitantes. (Ref: Carta Capital)

Mesmo com toda a legislação vigente de proteção aos direitos dos trabalhadores, na moda, existem 21 milhões de pessoas em condições de trabalho análogo à escravidão no mundo, de acordo com a OIT (Organização Internacional do Trabalho). Que triste realidade!

A necessidade de fiscalização e punição aos grandes produtores é gritante para se ver banida tal exploração. As estatísticas são assustadoras! Vejamos:

⁃ Um trabalhador chinês recebe 6 centavos de dólares para confeccionar uma calça jeans de uma marca Ocidental famosa e vendida em média a 150 dólares nos EUA;

⁃ Nos países em desenvolvimento, estima-se que 168 milhões de crianças entre 5 e 14 anos são obrigadas a trabalhar;

⁃ A América tem leis trabalhistas mais fortes do que a maioria dos países subdesenvolvidos, mas não está livre de condições de exploração. Muitas violações trabalhistas escapam ao radar do Departamento do Trabalho dos EUA;

⁃ Os trabalhadores na China possuem 2 cartões de horário, pois trabalham em jornada dobrada com 2 horas para dormir, além de seguranças serem contratados exclusivamente para cortar os cartões falsos, e assim, trabalham em jornada dupla burlando leis;

⁃ Greves são proibidas na China;

⁃ Os trabalhadores dormem em locais desumanos dentro das próprias facções.

Mas, não precisamos ir muito longe para ver que a escravidão contemporânea se faz presente. Em SP, em polos de moda, como Bom Retiro, por exemplo, nordestinos, bolivianos passam pelas mesmas situações que os asiáticos.
Por trás de uma peça de roupa existe uma história, uma pessoa, uma cadeia envolvida. Já parou pra pensar na pessoa que está sentada atrás da máquina confeccionando sua peça? Será que está trabalhando em condições dignas? Será que recebe de forma justa por isso? Será que seus direitos trabalhistas são resguardados? Ou seriam pessoas vulneráveis, sendo exploradas covardemente pela indústria por questão de sobrevivência?

Escravidão não pode estar na Moda.

Fonte: Documentário “The Next Black”; Documentário “The True Cost”; Fashion Revolution.

Por: Paty Barbosa
Fashion Lawyer, Designer de Moda, Empresária, Ativista pelo Fashion Revolution, Articulista e praticante do Upcycling por sua marca de roupas @bymyhandsfashion.

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