Fashionsumerism

O Inconsciente Coletivo na Moda

Carl Jung, considerado o pai da psicologia analítica e discípulo muito crítico de Freud, criou alguns conceitos importantes e muito difundidos na ciência da Psicologia contemporânea, como por exemplo, o inconsciente coletivo e os arquétipos.

Mas, afinal, o que vem a ser o Inconsciente Coletivo? Jung, o define como sendo uma “biblioteca universal do saber, um depósito dos processos mundiais encravados na estrutura do cérebro que constitui, na sua totalidade, um tipo de imagem mundial atemporal e eterna que contrabalanceia a nossa imagem consciente momentânea do mundo” e estas imagens são passadas de geração a geração, ou melhor, suas predisposições influenciam no comportamento humano atual.

Toda forma de vida tem uma memória inconsciente e pode-se chegar até ele através dos sonhos e este é o ponto de partida para o autoconhecimento e auto aperfeiçoamento, segundo Jung.

Quando se analisa a existência de elementos e temas comuns em civilizações ao longo do tempo e espaço, percebe-se a aparência repetitiva dos mesmos, sem que as mesmas tivessem sequer algum contato! E aí, vem a ligação não só com a Indústria da Moda, mas com tudo que envolva processos criativos autorais.

Quantas vezes designers possuem um “insight” e colocam no papel aquela inspiração, mas não a executam. Logo adiante, este mesmo designer que não teve seus papéis furtados e sequer comunicaram sobre sua inspiração a terceiros, se depara com seus “insights” já nas vitrines e nas passarelas sendo comercializados! Parece loucura! Mas, não é! Simplesmente o Universo fazendo circular pensamentos convergentes vindos de antigas civilizações até os dias atuais! E todos temos acesso a esta Biblioteca do pensar, através dos sonhos e do nosso inconsciente que trabalha de forma extremante espontânea.

Todo ser humano possui ligações através dos sonhos. Possuímos sonhos semelhantes e imagens ou memórias inconscientes que, melhor dizendo, são de domínio público e isso se chama Inconsciente Coletivo – e é extremamente misterioso e controverso. Não se trata de uma teoria absoluta, mas instigante.

Noutro giro, vários podem ser os fatores que estimulam estas “conexões de pensar”, como o momento político, social ou econômico de um país por exemplo, o que denomina-se como Zeitgeist em alemão que em português significa espírito da época ou sinal dos tempos, direcionando que o conjunto intelectual e cultural do mundo se fundam, espalhando linhas de raciocínio convergentes. Como o momento de pandemia. Processos repetitivos, como veiculações constante sobre um mesmo tema, se tornam referências sociais e influenciam diretamente em processos criativos coletivos. As criações se tornam tendenciosas ao que o mundo vivência num determinado momento. Se tornam, de fato, uma tendência.

Mas, importante salientar que esta biblioteca universal do saber, usada de forma consciente, ou seja, egoística, podendo ser não espontânea, não pode ser usada como pretexto para banalizar cópias em massa, realidade muito presente na Indústria da Moda com a produção em massa das lojas de departamentos.

E surge uma outra visão relacionada ao Inconsciente Coletivo e a Moda, que pode ajudar muito a instigar o pensamento crítico do comportamento do homem nesta indústria: Estaríamos desempenhando nosso papel de forma positiva na Indústria da moda, seja como consumidores, produtores, criadores absorvendo nossas memórias e experiências individuais em prol do coletivo? Que personas ou personagens estamos assumindo perante a sociedade? Desde a roupa que vestimos a nossos papéis sociais? Estamos permitindo que nosso ego, centro do consciente humano, desenvolva sua verdadeira divisão e permita que de fato ocorra a transição entre o inconsciente e o consciente? Se sim, que seja em busca do bem maior. De uma moda com propósito!

Por: Paty Barbosa
Fashion Lawyer, Designer de Moda, Empresária, Ativista pelo Fashion Revolution, Articulista e praticante do Upcycling por sua marca de roupas @bymyhandsfashion.

2 Comments

  • Tais Barsotti Fogaça

    Arrasou no texto, Paty!
    Realmente essa relação dos sonhos com o inconsciente coletivo é muito viva dentro de mim, quando eu tinha 19 anos, sonhei com um sobretudo, estilo trench cout transparente, com pequenas estampas coloridas, logo que acordei, escrevi a minha ideia num papel, como um insight, para realizá-la um dia! Acontece que uma semana depois, eu fui no shopping Iguatemi em São Paulo e na loja Dolce e Gabanna, estava lá na vitrine, bem parecido com o do meu sonho, o casaco trech coat, transparente, liso, com as bordas pretas!!! É incrível como o Universo conspira a nosso favor e os sonhos circulam né!? Gratidão por compartilhar seu texto conosco!!!

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