Fashionsumerism

Por trás dos hijabs

Nos últimos tempos nota-se uma preocupação das grandes marcas como Gucci, Nike, Versace, Mac e L’Oréal Paris com a inclusão da mulher muçulmana no mercado da moda. Desfiles com mulheres brancas, sofisticadas em vestes longas, recatadas e lenços envoltos a suas cabeças simulando a burca e o hijab estiveram presentes nas semanas de moda com mais visibilidade de 3 anos pra cá. Mas, seria esta representatividade legítima e fiel às verdadeiras mulheres por trás do véu?

A inclusão destas mulheres no mercado, para alguns críticos, foi uma tacada para marcas consolidadas, eis que o potencial de compra daquelas é grande. Mas, ao mesmo tempo que há o discurso das varejistas para a inclusão da mulher muçulmana na indústria da moda, tão rotuladas pelo mundo ocidental, a islamofobia se faz presente em suas rotinas.

Ao colocar somente mulheres brancas de padronizações nortistas, estamos automaticamente excluindo as muçulmanas negras e as asiáticas por exemplo. Você sabia que a Indonésia é o país com maior número de muçulmanos no planeta? Onde estariam a representatividade destas mulheres?

Sketch Patrícia Barbosa

Segundo o intercept, mulheres negras muçulmanas são triplamente mais vulneráveis nos EUA a ataques racistas, misóginos e islamofóbicos. O mercado tem vendido esta “inclusão” de forma até mesmo a descaracterizar a essência da cultura e da religião de mulheres que a representam, engessando-as. O lucro prevalece sobre a essência ou moral da cultura islã.

Entretanto, este flerte do mercado com estas mulheres pode ter sido um grande passo para muitas que em função da islamofobia diária, se viu, ainda que de uma forma desvirtuada, uma representatividade nesta indústria avassaladora.

Posicionamento, voz e representatividade são uma realidade atual com bloggers muçulmanas, como disse Hoda Katebi, blogueira de moda política e organizadora comunitária mencionando suas próprias experiências com convites de marcas para trabalho: “Marcas querem o rosto, mas não querem a política complexa, a identidade ou a voz por trás dele”. E mais: “Uma vez que uma mulher muçulmana se impõe, eles acabam com isso.”

A inclusão se faz necessária! A inclusão verdadeira, que leva em consideração todos os aspectos de uma cultura tão rica com o islamismo. O não engessamento destas mulheres, a não prevalência do lucro sobre a essência e a representatividade de todas as raças dentro do islamismo hão de fazer parte da vida destas mulheres!

Fonte: The Intercept

Por: Paty Barbosa
Fashion Lawyer, Designer de Moda, Empresária, Ativista pelo Fashion Revolution, Articulista e praticante do Upcycling por sua marca de roupas @bymyhandsfashion.

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