Fashion

Fashion Friends – Para onde vai o que vestimos?

Bom, para começar, quero dizer que é normal caso você não saiba em quais condições foram feitas as roupas que está vestindo. É pouco divulgado mesmo. E eu já te adianto que elas não são boas.
Infelizmente, a indústria da moda, ainda em sua maioria, não dá condições decentes de trabalho nem paga salários justos a quem atua nas etapas de produção. Além disso, a produção têxtil é uma das mais poluentes do planeta (fala-se muito que ela é a segunda maior, mas não há dados exatos quanto a isto).

Mas… E depois? Depois que compramos, usamos, não queremos mais. Depois que acaba a vida útil – que tem sido cada vez mais curta – daquela peça. A gente sabe o que acontece?

Bem pouco.

É que os dados assustam e não é interessante para as marcas e empresas de marketing, etc que saibamos. Se esse tipo de informação fosse mais compartilhado, usaríamos bem mais nossas roupas e valorizaríamos o consumo de segunda mão. (a boa notícia é que ele está aumentando de toda forma, uhu!)

Dá só uma olhada nestes números:

Estima-se que, no Brasil, sejam geradas, por ano, 170 mil toneladas de resíduos têxteis. Dessas, 80% vão para os lixões e aterros sanitários, o que é bem grave. (dados do Sebrae)

O relatório ‘A New Textiles Economy: Redesigning fashion’s future‘ produzido pela Fundação Ellen MacArthur, identificou que aproximadamente 01 caminhão de lixo de materiais têxteis é enviado para aterro ou incinerado por segundo.

Para se ter uma ideia maior ainda, cerca de 70% das cerca de 100 bilhões de roupas produzidas em 2015 irão para aterros ou incineração ao final de sua vida útil, segundo a Fundação. É muita coisa, né?

O problema é que os tecidos podem levar até centenas de anos para se decompor e, além disso, neste processo eles contaminam o solo, os lençóis freáticos e soltam gases de efeito estufa, um dos maiores causadores do aquecimento global. É um bom lembrete de que não existe “jogar fora”. Tudo fica aqui, na Terra, em algum lugar, de alguma forma.

Logística reversa é uma obrigação das empresas, mas ainda pouco praticada em nosso país.

Assim, trazendo essa responsa para nós, o que podemos fazer para diminuir o impacto causado pela moda e prolongar o tempo de uso das roupas que circulam por aí?

Investir em marcas que tenham práticas mais sustentáveis, em customizações, reaproveitamento e second hand. Inclusive, caso você queira garimpar peças lindas e desapegar do que está parado no seu armário, fica aqui o convite para conhecer um brechó bem legal, o CirculEstilo (@circulestilo), e fazer parte de uma moda circular!

Por: Camila Coelho
Advogada, especialista em Direito do Trabalho e Fashion Law, proprietária do CirculEstilo, brechó com curadoria.

 

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